Influenciadora é presa suspeita de liderar esquema de tráfico de cocaína no Noroeste do Paraná




Segundo a Polícia Civil, influenciadora e marido estariam entre os investigados por suposta participação em organização criminosa. Operação em Umuarama terminou com sete prisões e bloqueio judicial de R$ 1,8 milhão. Defesa afirma que é prematuro tirar conclusões.

A influenciadora digital Hevellyn Santos, de 32 anos, foi presa durante uma operação da Polícia Civil do Paraná (PCPR), realizada na quarta-feira (7 de outubro), em Umuarama, no Noroeste do estado. Segundo as informações divulgadas pela corporação, ela é investigada por suspeita de exercer uma posição de liderança em um suposto esquema de tráfico de cocaína que estaria operando no município.

O marido da influenciadora, Rafael Oliveira, também foi preso durante a ação, denominada Operação Beverly Hills. Conforme a Polícia Civil, sete pessoas foram detidas durante o cumprimento das medidas policiais e judiciais.

A investigação é conduzida pelo Setor de Narcóticos e pelo Grupo de Diligências Especiais (GDE) da 7ª Subdivisão Policial de Umuarama, em integração com a Força Nacional.

Comércio de produtos nas redes sociais seria utilizado como fachada, segundo a polícia

De acordo com as informações apresentadas durante a investigação, Hevellyn utilizaria as redes sociais para divulgar a comercialização de perfumes árabes, aparelhos celulares e tênis, além de promover sorteios desses produtos para seguidores.

Na avaliação dos investigadores, essas atividades comerciais poderiam estar sendo utilizadas como fachada para uma suposta organização criminosa envolvida com o tráfico de entorpecentes.

O delegado Rodrigo Couto, que apresentou detalhes da operação, afirmou que a atividade comercial também seria alvo de suspeitas relacionadas ao crime de descaminho.

“ERA A ATIVIDADE DE FACHADA. E CABE RESSALTAR QUE ESSA ATIVIDADE DE FACHADA, POR SI TAMBÉM, JÁ ERA ILÍCITA, QUE ERA OBJETO DE DESCAMINHO.”

RODRIGO COUTO — DELEGADO DA POLÍCIA CIVIL

Segundo a linha investigativa apresentada pela Polícia Civil, a comercialização dos produtos poderia estar relacionada a possíveis irregularidades tributárias. A eventual prática de crimes e a responsabilidade de cada investigado ainda dependem da análise dos elementos reunidos e da apreciação judicial.

Grupo investigado teria divisão de tarefas e atendimento em regime de plantão

Conforme a Polícia Civil, a suposta organização criminosa teria uma estrutura dividida entre diferentes funções, que incluiriam armazenamento, fracionamento e distribuição de cocaína, além de atendimento aos compradores, entregas, cobranças e movimentação de dinheiro.

Os investigadores suspeitam que algumas pessoas ficariam responsáveis pelo recebimento de pedidos por telefone, enquanto outras seriam encarregadas de realizar as entregas dos entorpecentes.

Durante os esclarecimentos sobre a operação, o delegado Rodrigo Couto descreveu como seria o funcionamento do esquema investigado.

“EXISTIAM ALGUMAS PESSOAS ALI QUE FICAVAM EM REGIME DE PLANTÃO, OPERANDO O CELULAR, NO QUAL RECEBIAM OS PEDIDOS DOS CLIENTES. ELES TINHAM UMA POLÍTICA, INCLUSIVE DE ENTREGAS DE 25 A 13 MINUTOS. ERA UMA ORGANIZAÇÃO BEM ELABORADA.”

RODRIGO COUTO — DELEGADO DA POLÍCIA CIVIL

Na avaliação da autoridade policial, os elementos levantados durante a apuração indicariam a existência de uma estrutura organizada para a suposta comercialização de entorpecentes.

A polícia busca esclarecer qual teria sido a participação individual de cada investigado e se haveria outros envolvidos nas atividades sob apuração.

Suspeitos teriam adotado estratégia para dificultar flagrantes durante entregas

Outro aspecto mencionado pela Polícia Civil diz respeito à forma como as supostas entregas de cocaína seriam realizadas.

De acordo com o delegado Rodrigo Couto, os investigados teriam adotado uma estratégia de transportar pequenas quantidades de entorpecentes, supostamente para dificultar a caracterização do tráfico em eventuais abordagens policiais.

“TODA A DISTRIBUIÇÃO ERA DE FORMA DELIVERY. ELES TOMAVAM CUIDADO PARA NÃO SEREM PEGOS COM GRANDE QUANTIDADE DE DROGA.”

RODRIGO COUTO — DELEGADO DA POLÍCIA CIVIL

Ainda segundo a autoridade policial, os pedidos seriam recebidos por meio de um sistema de comunicação chamado pelos próprios investigados de "radinho".

Após o suposto contato de um comprador, um entregador seria acionado para transportar apenas a quantidade solicitada.

“RECEBIAM O PEDIDO PELO RADINHO, ENTRAVAM EM CONTATO COM O ENTREGADOR, QUE LEVAVA APENAS A PORÇÃO QUE O CLIENTE PEDIU, PORQUE, SE EVENTUALMENTE A POLÍCIA PEGASSE NO MEIO DO CAMINHO, PODERIAM ALEGAR QUE SERIA PARA CONSUMO.”

RODRIGO COUTO — DELEGADO DA POLÍCIA CIVIL

Segundo a Polícia Civil, essa dinâmica seria uma das estratégias supostamente utilizadas pelo grupo investigado. As circunstâncias descritas ainda deverão ser analisadas no decorrer da investigação e de eventual processo judicial.

Operação termina com sete prisões e bloqueio judicial de R$ 1,8 milhão

Conforme o balanço divulgado pela Polícia Civil, a Operação Beverly Hills resultou na prisão de sete pessoas, incluindo a influenciadora Hevellyn Santos e seu marido, Rafael Oliveira.

Segundo a corporação, duas pessoas foram presas em flagrante durante a operação, uma por suspeita de tráfico de drogas e outra por posse de munição de uso restrito.

Também foram cumpridos nove mandados de busca e apreensão. De acordo com a polícia, durante as diligências foram recolhidos entorpecentes, dinheiro, documentos, aparelhos eletrônicos e outros materiais que poderão contribuir para a continuidade das investigações.

A Justiça determinou ainda o bloqueio de R$ 1,8 milhão em ativos financeiros, além de medidas de sequestro e indisponibilidade de veículos e imóveis relacionados aos investigados.

As medidas judiciais estariam relacionadas à apuração de possíveis movimentações financeiras associadas aos crimes investigados.

A Polícia Civil apura suspeitas de tráfico de drogas, associação para o tráfico, organização criminosa e lavagem de dinheiro.

Defesa do casal questiona suspeitas e pede cautela na análise dos fatos

Após a operação, o advogado Marcio Teslenco, responsável pela defesa de Hevellyn Santos e Rafael Oliveira, se manifestou sobre o caso.

Em declaração encaminhada ao portal g1, o defensor informou que acompanha os desdobramentos da investigação e questionou a existência de elementos suficientes para caracterizar o crime de tráfico de drogas em relação aos seus clientes.

“PORÉM, É NECESSÁRIO SALIENTAR QUE NÃO FOI APREENDIDA QUALQUER QUANTIDADE DE DROGAS QUE VIESSE A CARACTERIZAR O CRIME DE TRÁFICO DE ENTORPECENTES.”

MARCIO TESLENCO — ADVOGADO DE DEFESA

O advogado também ressaltou que considera precipitado estabelecer conclusões sobre os fatos apresentados durante a operação.

“PORÉM, AINDA É PREMATURO FAZER QUALQUER JUÍZO DE VALOR QUANTO À REALIDADE DOS FATOS.”

MARCIO TESLENCO — ADVOGADO DE DEFESA

A manifestação da defesa faz referência aos mandados expedidos pela 2ª Vara Criminal de Umuarama e cumpridos pela 7ª Subdivisão Policial.

Embora a Polícia Civil tenha informado a apreensão de drogas durante as diligências, a defesa questiona a existência de elementos que, em seu entendimento, seriam suficientes para atribuir o crime de tráfico ao casal.

Polícia Civil segue investigando suposta atuação do grupo

As investigações deverão prosseguir para esclarecer a possível atuação dos suspeitos e verificar a existência de elementos que sustentem as hipóteses apresentadas pela Polícia Civil.

Os aparelhos eletrônicos, documentos e demais materiais apreendidos poderão ser analisados pelas autoridades para identificar eventuais contatos, movimentações financeiras e possíveis outros envolvidos.

A polícia também busca esclarecer se atividades comerciais teriam sido utilizadas para ocultar recursos supostamente provenientes de práticas criminosas.

É importante ressaltar que as informações relacionadas à suposta organização criminosa são baseadas nas suspeitas e nas linhas investigativas apresentadas pela Polícia Civil. A prisão dos investigados não representa condenação, e todos têm direito à ampla defesa, ao contraditório e à presunção de inocência.

O caso permanece sob investigação.

Fonte: Informações da Polícia Civil do Paraná e declarações do delegado Rodrigo Couto e do advogado Marcio Teslenco divulgadas pelo g1.

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